Rebobinei. Rebobeei. Voltei à primeira pessoa. Eu só quero saber do que pode estar perto. Sigo pensando nos liames que ligam o mim ao ti. Eu a você. A possibilidade ao acontecer. Eu só quero estar certo de que você vai estar perto. Esse homem nu, grotescamente ridículo, sou eu. Esse jeito manso, dengoso e manhoso, é seu. Em meus olhos, o brilho translúcido de fragmentos de vida expostos ao sol do equador. Pedaços de vidas gestadas ao sul do quarador onde eu espiava as calcinhas das meninas de meu tempo. Restos de porres, ressacas medonhas. Esse homem nu, creia, sou eu. Minhas vestes eu perdi pelo caminho. Sinto com prazer este ventinho frio que açoita meu corpo nu. Você pode, por favor, desligar o ar-condicionado? Você pode, por gentileza, virar um pouco de lado? Você pode, por Deus, me passar estes morangos que mofam ao seu lado? Eu estou pensando numa curva que tem lá no Pernambuco quando eu vou voando pra Catende. Você não entende de nada. Quer parar? Quer fazer xixi? Quer descer? Mas não era você quem queria saber quem eu sou? Eu não tenho carro, nem curvas, exceto essa de que te falo. E Catende. Lá sou amigo do rei. Tenho a mulher que quero? Tá bom. A grama eu escolherei.


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