Exposição fica em cartaz no Caxias Shopping Center até o dia 19 de outubro.
David Sousa é um fotógrafo que tem desenvolvido um sólido trabalho de documentação do patrimônio cultural material e imaterial caxiense. Sua consistência o levou a ser eleito membro da Academia Caxiense de Letras. Agora, a fotografia de David Sousa ganha uma nova camada de profundidade e altitude, com uma série de registros que traduzem o fazer da cultura maranhense em Caxias no exato instante em que as mãos e pés de seus fazedores a fazem.
Mãos e Pés Ancestrais, “uma exposição intimista para olhar, sentir e reconhecer”.
A definição de “intimista”, presente no material de divulgação da exposição pode soar estranha. Como pode ser intimista um trabalho que tem como objeto o coletivo? Um trabalho em que o próprio artista não aparece, a não ser como vetor de um olhar?
Mas essa estranheza desaparece se pensarmos que há poucas coisas tão íntimas quanto o olhar e que o olhar de David Sousa nessa exposição é um olhar que se prende ao detalhe, ao close-up, e que há certo erotismo nessa mirada sobre pés e mãos em seus gestos criadores.
O olhar de David Sousa não está dissociado do sentir. Mas, diferentemente de outros fotógrafos e demais documentadores das manifestações da cultura popular ao longo do tempo, o olhar de David Sousa não é objetificador. As mãos e pés que ele recorta e destaca não são de indivíduos, mas de tradições, de longas linhagens de transmissão de sangue, saberes e sensibilidades. Por isso, o que alinhava a exposição não é a noção de ancestralidade.
Esta é a grande teia de complexidades da Exposição Fotográfica Mão e Pés Ancestrais: as fotos não possuem objetos, elas narram sujeitos; esses sujeitos não são indivíduos, mas uma longa história social e cultural que se expressa nos corpos individuais; e mesmo assim, esse olhar é intimista, porque o olho do olhador já está profundamente impregnado dessa mesma história.








O efeito de políticas públicas de fomento à cultura
A exposição de David Sousa é mais uma evidência concreta dos efeitos positivos de políticas públicas de fomento à cultura.
Viabilizada pela Lei Adir Blanc 2 (Ministério da Cultura, Governo Federal), via edital do Governo do Maranhão, a experiência mostra como a injeção de recursos de forma descentralizada não s[o incentiva a produção de alto nível como – e este é o caso de David Sousa – permite que artistas que já operam em alto nível possam dar a essa produção a publicidade necessária para torná-las parte da memória cultural de seus lugares.





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